
Photo: Ian Brooker and David Kleinig, CC BY 3.0 au, Wikimedia Commons
Eucalipto
Eucalyptus globulus
O eucalipto-comum que cobre grande parte de Portugal, cujas folhas dão o vapor intenso a cânfora de todas as cozinhas de inverno e cujo óleo nunca pode ser engolido.
Confunde-se com
Perigo: A composição do seu óleo difere, e algumas espécies têm compostos irritantes em teores muito mais altos do que o eucalipto-comum.
Como distinguir: E. globulus tem o grande opérculo verrucoso de quatro costelas, o fruto grande em forma de pião com arestas e folhas juvenis fortemente azuis e cerosas. Outras espécies têm frutos mais pequenos e casca diferente. Todas partilham o cheiro a cânfora, por isso identificar o género é fácil e a espécie não é.
Perigo: O loureiro é uma erva de cozinha, não é perigoso, mas o louro-cerejo, que se parece com ele, é tóxico e liberta compostos de cianeto quando as folhas são esmagadas.
Como distinguir: O cheiro decide. O eucalipto cheira intensamente a cânfora e a remédio. O loureiro cheira a quente e a comida; o louro-cerejo cheira a amêndoa amarga ou a maçapão, o que é um sinal de aviso e não um convite.
Folhas
Duas formas completamente diferentes na mesma árvore, o que é a característica identificadora. As folhas juvenis, nos rebentos novos e nos renovos das cepas, são opostas, sem pecíolo, em forma de coração a ovais, com 6 a 15 cm, e revestidas por uma pruína cerosa branco-azulada. As folhas adultas são alternas, pendendo na vertical num pecíolo torcido, estreitas e em forma de foice, com 10 a 30 cm de comprimento e 2 a 3 cm de largura, grossas, coriáceas e verde-escuras e brilhantes em ambas as faces.
Flores
Branco-creme, com 3 a 4 cm de diâmetro, feitas quase inteiramente de um pincel de estames, sem pétalas visíveis. O botão é tapado por um opérculo verrucoso, branco-azulado, com quatro costelas, que é empurrado para fora quando as flores abrem. O fruto lenhoso é uma cápsula dura, em forma de pião, cinzento-azulada, com 1,5 a 3 cm de largura e quatro arestas. Floresce sobretudo no inverno português.
Caule
Tronco com casca lisa em manchas de cinzento, creme, azul e castanho-alaranjado, que se solta em longas fitas e fica pendurada em tiras, deixando a casca fibrosa e rugosa apenas na base. Os ramos jovens são de quatro ângulos e muitas vezes azulados e cerosos.
Smell or taste
Uma folha esmagada liberta um cheiro inconfundível, intenso, frio, a cânfora e a remédio, que desentope o nariz. É o cheiro de todo o interior português num dia de calor. Não prove nenhuma parte, e nunca engula o óleo.
Habitat
Vastas plantações para pasta de papel, além de bermas de estradas, margens de rios e terrenos abandonados por todo o Portugal. Nativo da Tasmânia e do sudeste da Austrália; na Península Ibérica é uma árvore introduzida e muito debatida.
Preparation
As folhas adultas são colhidas em qualquer altura do ano, de um ramo baixo ou de material fresco caído, e secas planas num local morno, arejado e à sombra, durante uma a duas semanas; ficam rígidas e coriáceas em vez de esfarelentas. Guarde num frasco selado e escuro. A inalação de vapor é o uso doméstico tradicional: um pequeno punhado de folhas frescas ou secas numa taça de água muito quente, com a cara bem acima da taça, uma toalha sobre a cabeça e os olhos fechados, respirando durante alguns minutos. Mantenha uma distância segura da superfície, ponha a taça onde não possa ser derrubada, e nunca deixe uma criança debruçar-se sobre uma taça de água a escaldar. As folhas também se penduram no duche, se juntam a um banho quente, ou se queimam ao ar livre como fumo aromático. O óleo essencial de eucalipto é um produto separado e concentrado. Não tente destilá-lo em casa, não o junte à taça de inalação de uma criança, e não o tome por via interna em quantidade nenhuma.
Uso tradicional
O eucalipto está cosido aos invernos portugueses. Tradicionalmente ferviam-se folhas no fogão para o vapor encher a divisão durante uma constipação, juntavam-se a água quente para uma inalação com a cabeça entupida, e penduravam-se na casa de banho. A madeira, o mel e a indústria da pasta de papel construída sobre ele fazem parte da paisagem portuguesa moderna, para o bem e para o mal, e vale a pena dizer que estas plantações são também um fator importante no problema dos incêndios florestais do país. Isto é costume doméstico. Não é um tratamento para nenhuma doença respiratória, e o vapor não cura uma constipação.
Harvest rule
O eucalipto é superabundante em Portugal e ninguém precisa de danificar uma árvore por um punhado de folhas: aproveite ramos frescos caídos depois de vento, ou corte rebentos baixos. As plantações são propriedade comercial privada, por isso peça autorização antes de entrar ou cortar, e mantenha-se fora de zonas encerradas por risco de incêndio. Nunca parta ramos de árvores de berma de estrada ou municipais. Verifique as regras locais, que variam de país para país, e lembre-se de que em Portugal a própria plantação de eucalipto é legalmente restringida nalguns sítios por causa do fogo e da água.
Eucalipto (PT); eucalipto (ES)